Fanny Hill
07-04-2010, 7:48
Tem um pouco a ver com o tópico da Juliene sobre Felicidade, mas decidi abrir outro porque a questão é um pouco diferente e envolve identidade e tal.
Viver num mundo cheio de oportunidades – cada uma mais apetitosa e atraente que a anterior, cada uma “compensando a anterior, e preparando o terreno para a mudança para a seguinte – é uma experiência divertida. Nesse mundo, poucas coisas são definitivas, pouquíssimos contratempos, irreversíveis; mas nenhuma vitória é tampouco final. Para que as possibilidades continuem infinitas, nenhuma deve ser capaz de petrificar-se em realidade para sempre. Melhor que permaneçam líquidas e fluidas e tenham “data de validade”, caso contrário podem excluir oportunidades remanescentes e abortar o embrião da próxima aventura. Como dizem Zbyszko Melosik e Tomasz Szkudlarek em seu interessante estudo de problemas da identidade, viver em meio a chances aparentemente infinitas (ou pelo menos em meio a maior número de chances do que seria razoável experimentar) tem o gosto doce da “liberdade de tornar-se qualquer um”. Porém essa doçura tem uma cica amarga porque, enquanto o “tornar-se” sugere que nada está acabado e temos tudo pela frente, a condição de “ser alguém”, que o tornar-se deve assegurar, anuncia o apito final do árbitro, indicando o fim do jogo: “Você não está mais livre quando chega o final; você não é você, mesmo que tenha se tornado alguém.” Estar inacabado, incompleto e subdeterminado é um estado cheio de riscos e ansiedade, mas seu contrário também não traz um prazer pleno, pois fecha antecipadamente o que a liberdade precisa manter aberto.
Por vovô do meu avatarEntão, pessoas, eu leio isso um milhão de vezes e chego à mesmíssima conclusão: o titio Zygmunt é doutor na arte de chegar a aporias.:dance:
O que vocês preferem: estar "acabados" ou ser uma "metamorfose ambulante"?
Edit: Claro, no sentido do quote, óbvio que estamos em constante mudança, mas nunca na história da humanidade, mudamos tão rápido como agora e de forma tão obsessiva. Somos praticamente forçados a estar sempre nos adequando a simplesmente TUDO.
Viver num mundo cheio de oportunidades – cada uma mais apetitosa e atraente que a anterior, cada uma “compensando a anterior, e preparando o terreno para a mudança para a seguinte – é uma experiência divertida. Nesse mundo, poucas coisas são definitivas, pouquíssimos contratempos, irreversíveis; mas nenhuma vitória é tampouco final. Para que as possibilidades continuem infinitas, nenhuma deve ser capaz de petrificar-se em realidade para sempre. Melhor que permaneçam líquidas e fluidas e tenham “data de validade”, caso contrário podem excluir oportunidades remanescentes e abortar o embrião da próxima aventura. Como dizem Zbyszko Melosik e Tomasz Szkudlarek em seu interessante estudo de problemas da identidade, viver em meio a chances aparentemente infinitas (ou pelo menos em meio a maior número de chances do que seria razoável experimentar) tem o gosto doce da “liberdade de tornar-se qualquer um”. Porém essa doçura tem uma cica amarga porque, enquanto o “tornar-se” sugere que nada está acabado e temos tudo pela frente, a condição de “ser alguém”, que o tornar-se deve assegurar, anuncia o apito final do árbitro, indicando o fim do jogo: “Você não está mais livre quando chega o final; você não é você, mesmo que tenha se tornado alguém.” Estar inacabado, incompleto e subdeterminado é um estado cheio de riscos e ansiedade, mas seu contrário também não traz um prazer pleno, pois fecha antecipadamente o que a liberdade precisa manter aberto.
Por vovô do meu avatarEntão, pessoas, eu leio isso um milhão de vezes e chego à mesmíssima conclusão: o titio Zygmunt é doutor na arte de chegar a aporias.:dance:
O que vocês preferem: estar "acabados" ou ser uma "metamorfose ambulante"?
Edit: Claro, no sentido do quote, óbvio que estamos em constante mudança, mas nunca na história da humanidade, mudamos tão rápido como agora e de forma tão obsessiva. Somos praticamente forçados a estar sempre nos adequando a simplesmente TUDO.